Escrita Espelhada. Que bicho é esse?

1st fev 2010

É comum nos primeiros registros escritos observarmos as crianças escrevendo letras, números e palavras de trás para frente. Por que isto acontece? Em primeiro lugar, trata-se de um fato normal no processo de aprendizagem da linguagem escrita porque nas primeiras tentativas a criança ainda não sabe todas as regularidades. Por exemplo: em nossa cultura se lê e se escreve da esquerda para a direita, ao contrário de outras culturas como a árabe e a hebraica que escrevem da direita para a esquerda, ou ainda os chineses, que escrevem de cima para baixo.

Também é necessário compreender que a criança em fase de alfabetização está adquirindo a noção de direita e esquerda. No entanto, pode ser auxiliada no desenvolvimento desta competência através de jogos e brincadeiras que envolvam principalmente o corpo. Este conhecimento, dentre outros, é muito importante para a alfabetização.

De qualquer forma, nesses primeiros passos no caminho da alfabetização, é frequente os pais ficarem angustiados ao observarem estas escritas espelhadas acompanhadas também de falta de letras ou mistura de letras e números. O ideal é deixar seus filhos fazerem suas tentativas, pois as crianças, conforme pesquisas realizadas por Emília Ferreiro e Ana Teberosky (pesquisadoras reconhecidas internacionalmente por seus trabalhos sobre alfabetização), começam a construir a língua escrita muito antes de entrarem no ensino formal.

De acordo com Zorzi (2000):

“Por muito tempo e, de modo bastante insistente, temos sido levados a ver, nos erros e enganos que as crianças fazem ao escrever, indícios de distúrbios e patologias. Os espelhamentos de letras são um exemplo típico desta maneira, até mesmo parcial e distorcida, de compreendermos o que é a aprendizagem.”

As crianças podem, a princípio, além da escrita espelhada, escrever “formiga” com poucas letras e “boi” com muitas. Isso acontece porque, no pensamento das crianças, a formiga é pequena, logo precisa de poucas letras, exemplo: CFAO. Já o boi é grande, então precisa de muitas letras: JAJNSHSJAKOV. Em outros casos, elas utilizam as letras do próprio nome em ordem diferente para muitas palavras. Mais adiante passam por outra fase e então escrevem uma letra para cada vez que pronunciam um som.

E assim a criança segue gradualmente em sua investigação, até atingir a escrita convencional.

Não existe criança que não sabe nada sobre a escrita. O que acontece é que a criança pensa sobre a escrita formulando hipóteses sobre ela, para compreender o que a mesma significa. Isto não quer dizer que ela não precisa de um mediador para aprender a ler e escrever. A ação de um mediador é imprescindível para fazer com que a hipótese da criança entre em conflito e assim proporcione o seu avanço.

Feuerstein (1980 apud Beyer, 1996, p. 75) diz:

Por meio do conceito da experiência da aprendizagem mediada (EAM) nós nos referimos à forma como os estímulos emitidos pelo meio são transformados por um agente ‘mediador’, usualmente um pai, um irmão ou outra pessoa do círculo da criança. Este agente mediador, motivado por suas intenções, cultura e envolvimento emocional, seleciona e organiza o mundo dos estímulos para a criança. O mediador seleciona os estímulos que são mais apropriados e então os filtra e organiza; ele determina o surgimento ou desaparecimento de certos estímulos e ignora outros. Através desse processo de mediação, a estrutura cognitiva da criança é afetada.

Mas, muitas vezes, quando se ouve dizer que uma criança de 5 anos está lendo e escrevendo, logo vem aquela preocupação: será que meu filho de 6 anos tem problemas? Neste caso é melhor agir com bom senso, respeitando o ritmo de cada um. A escola deve ser parceira dos pais, dizendo-lhes quando percebe algo que mereça mais atenção.

Zorzi (2000) também comenta:

Estamos, como adultos, fortemente contaminados com noções rígidas de “certo” e “errado”: se a criança está agindo ou pensando da mesma forma que nós, então ela sabe, ela está certa, está aprendendo. Caso contrário, se ela assimila, ou entende uma situação de uma maneira distinta da nossa, que não está de acordo com nossas concepções e crenças, então ela está errada. Não está aprendendo. E, se não está aprendendo, então deve ter dificuldades, problemas, e assim por diante.

Há uma preocupação exagerada para que se leia cada vez mais cedo. O mais sensato é baixar a ansiedade, acompanhar o desenvolvimento da criança, confiar na escola do seu filho e proporcionar um ambiente rico em leitura e escrita, regado com muita paciência e persistência.

No mais é curtir e guardar estas primeiras tentativas de escrita com o mesmo valor dado às primeiras palavras e os primeiros passos.

 

Olhem que LINDO vídeo eu recebi!!! Ilustra exatamente o tema abordado.  Artur aos 4 anos e 5 meses escreveu seu nome assim: 


Na nossa revista digital você encontra uma atividade bem legal para auxiliar as crianças que apresentam escrita espelhada.

P.S. A escrita espelhada é comum até a idade de 7-8 anos. Se, entretanto, mesmo recebendo estímulo e ensino adequados, ainda assim ela estiver apresentando, além da escrita espelhada, dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita, considero prudente uma avaliação psicopedagógica.

REFERÊNCIAS

BEYER, Hugo Otto. O fazer psicopedagógico: a abordagem de Reuven Feuerstein a partir de Piaget e Vygotsky. Porto Alegre: Mediação, 1996.

ZORZI, Jaime Luiz. As inversões de letras na escrita o “fantasma” do espelhamento. 2000. Disponível em < http://www.filologia.org.br/soletras/15sup/As%20invers%C3%B5es%20de%20letras%20na%20escrita-%20o%20’fantasma’%20do%20espelhamento.pdf>. Acesso em 11 fevereiro 2011.

 

OBRAS CONSULTADAS

FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.

MACEDO, Lino de; NORIMAR, Ana Lúcia Sícoli Petty, PASSOS, Norimar Christe.  Os jogos e o lúdico na aprendizagem escolar.  Porto Alegre: Artmed, 2005.

ZORZI, Jaime Luiz. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: questões clínicas e educacionais. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Clique no link abaixo para ter acesso a uma apostila com sugestões de atividades lúdicas para intervenção da escrita espelhada.

 

Especialista em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Formação em Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem e em PEI (Programa de Enriquecimento Instrumental) pelo CDCP (Centro de Desenvolvimento Cognitivo do Paraná) Centro de Treinamento Autorizado pelo Hadassah Wizo-Canada Reserach Institute e pelo ICELP - The Internacional Center for the Enhancement of Learning Potential, Jerusalém - Israel. Experiência em alfabetização e dificuldades de aprendizagem. Autora do e-book: "Mamãe, deixe-me crescer" e idealizadora da Revista Psicosol. Ama ler e tem levado bem a sério a sua brincadeira de escrever.

44 comments on “Escrita Espelhada. Que bicho é esse?

  1. Maria Luiza G. Schulz on said:

    LINDO !!!! Minha amiga você está de PARABÉNS!!!
    É bom saber que você está feliz desenvolvendo um trabalho tão importante para com nossas crianças. Estou orgulhosa de você, continue assim!!!
    Amo muito você!
    Sucesso para você!!!!
    Beijos e abraços,
    Maria Luiza G. Schulz (sua e sempre amiga).

  2. Gostei muito do texto, pois foi elaborado de forma clara e objetiva.
    Lembrei, ao lê-lo, do meu irmão de apenas 1 ano e 10 meses. Percebo o quanto as nossas atitudes com relação a leitura e escrita influenciam o modo dele conhecer e utilizar-se dessas linguagens.
    Houve uma situação na qual estávamos com um livro de palavras cruzadas e esquecemos sobre o sofá. Quando voltamos, ele estava preenchendo cada quadrado livre com um circulo, sem riscar a toda a folha. Pensei: “nossa, ele conseguiu reproduzir uma parte da idéia das palavras cruzadas”. Achei o máximo, mesmo sabendo que foi uma mera repetição do que tínhamos feito.
    Lembrei dessa cena ao ler a parte que fala da preocupação, que não devemos ter, com o tempo desse processo de aprendizagem. Eles vão assimilar os conteúdos conforme o momento que estão e penso que a escrita tem que ser muito mais do que uma necessidade sociocultural, mas além de tudo algo prazeroso.

  3. Luiza Maria Grahl on said:

    Estou muito feliz por você. Texto ótimo.
    Parabéns

  4. Fernanda on said:

    Agradeço pelo texto. Pesquise e divulgue mais sobre esse assunto. Parabéns…DEUS abençõe!!!

  5. Agradeço a matéria, pois me esclareceu muito. Não havia aceitado o que me disseram: que minha filha de 5 anos estava com dislexia ou distúrbio da aprendizagem!
    Obrigada!

    • Solange Moll on said:

      Rossandra, não sei o que levou as pessoas dizerem que sua filha de 5 anos possa ser disléxica ou ter outro distúrbio de aprendizagem, mas se foi somente por apresentar escrita espelhada não faz o menor sentido.
      Agradeço sua visita e se precisar de mais informações pode enviar e-mail.
      Solange

  6. Márcia Maria Barbosa Stecca on said:

    Adorei essa página! Parabéns

  7. Boa tarde Solange!! Achei muito interessante a sua matéria, e sem sombras de dúvidas és uma excelente profissional, da maneira que me atendestes e esclarecestes a minha preocupação e dúvida quanto ao meu filho. Agradeço pela atenção dispensada e quero te dizer que não desejo sucesso, pois você já o conquistou, mas quero que tenhas muita saude e força para continuar assim sempre!! Um abraço – Márcio

  8. Solange !!!
    Onde posso encontrar algo sobre o assunto de fácil entendimente da hipertavidade?
    Márcio

  9. Ok, muito agradecido pela sua atenção e disposição.

  10. Muito obrigada, eu estava desesperada, meu filho escreve o nome de certo de tras pra frente mas do jeito certo ele mistura ou esquece letra.
    Ele é canhoto e tem 4 anos.
    que tipo de atividades posso dar a ele para facilitar seu aprendizado.

    • Solange Moll on said:

      Priscila, vc pode brincar com ele de escrever o nome na areia ou com massinha de modelar.
      É provável que seja necessário repetir algumas vezes esta brincadeira, inclusive em dias diferentes. Mas vá com CALMA porque seu filho é ainda muito novo!
      Ah! Dê muitos beijos nele por mim!

  11. grazielle on said:

    boa noite solange seu artigo sobre escrita espelhada me tranguilizou minha filha tem 4 anos e as vezes escreve o nome assim.como posso ajuda la me ajuda. obrigada

    • Solange Moll on said:

      Oi Grazielle!
      Sua filha tem conhecimento das noções de frente, atrás, antes, depois? Saiba que essas noções são importantes para o processo de construção da escrita.
      Vc pode ajudá-la brincando de escrever o nome dela na areia ou com massinha de modelar. Se ela escrever espelhado mostre o lado que as letras devem ser escritas. É possível que vc tenha que repetir algumas vezes. Mas, o mais importante é vc ficar tranquila porque na idade de sua filha é muuuuito comum a escrita espelhada.
      Espero ter ajudado.
      bjs,
      Solange

  12. Olá na sua opinião o incentivo da escrita do nome com ficha deve iniciar com que idade? bjus

    • Solange Moll on said:

      Oi, eu não utilizo esse método, mas aproveitando a pergunta vou postar – em breve – uma atividade que é interessante para incentivar a escrita do próprio nome. Agora, quanto à idade, o melhor a ser observado é o interesse da criança. Bjos

  13. Gostaria de saber se:uma criança q vai fazer 6 anos em novembro,q pronuncia inúmeras palavras erradas,tipo: fitilante= refrigerante; Famiana= Fabiana; muneca= boneca e etc,é normal isto? Ela será alfabetizada ano q vem e,a prof nada comenta..noto nela 1 certo egoísmo em relação ao primo q embora tenha 4 A 8 M,fala mtº melhor q ela…o q ela puder fazer pra retirar dele e,ficar apenas com ela,ela faz,qdo ñ destrói o objeto.
    Obgdo

    • Solange Moll on said:

      Regina, sugiro que você procure um fonoaudiólogo para uma avaliação. A linguagem oral bem resolvida é importante para o processo da alfabetização. Abraços.

  14. Olá
    Muito bom o seu texto.Tenho sempre consultado este espaço e tem me ajudado bastante. No caso da escrita espelhada, tenho alguns alunos no 3º Ano da Alfabetização que escrevem espelhado alguma letras e numeros, ou seja, onde se espera que já tenham adquirido a habilidade de grafar corretamente as letras. Tenho trabalhado em parceria com o professor de educação física dando bastante enfoque a lateralidade. Você tem mais alguma sugestão que possa ser feito em sala de aula?
    Há um caso de um dos meus alunos que me intriga bastante. Ele escrevia espelhado a partir do numero 5. Foi bastante trabalhado e venceu. Atualmente na sequeência numerica ele escreve até 49 e a partir daí escreve assim: 05, 15, 25,35,45,55,65,75,85,95,06,16…(com a intervenção percebi que lê na sequência correta, ou seja 05 é cinquenta e 15, é cinquenta e um e assim sucessivamente)
    Se possivel gostaria de alguma sugestão sua de como trabalhar com esse aluno.
    Meu e-mail: elinamariacaliman@hotmail.com

    Grande abraço

    • Solange Moll on said:

      Oi Elina, fico realmente muito feliz em saber que este espaço está sendo útil. Esse é meu maior interesse.
      Quanto ao seu trabalho você está no caminho certo. A parceria com o professor de educação física é fantástica.
      Referente ao aluno que você mencionou sugiro que você utilize massa de modelar, argila, caixa com areia para ele fazer o movimento dos números, entre outros. Quando ele espelhar os números corrija-o de maneira tranquila, pois, mais do que paciência é preciso persistência, porque posso te dizer por experiência que algumas crianças levam um tempo maior para parar de espelhar as letras, mas todas vencem!

      Ah! Vou mandar um pequeno presente para você em seu e-mail. Espero que você curta.

      Bjos

  15. Olá Solange

    Obrigada por me orientar e tranquilizar. Fantástica a apostila que você encaminhou, pode ter certeza que será muito útil.
    Um grande beijo no seu coração e que Deus continue a te iluminar.
    Bjs

  16. OLÁ , MUITO BOA SUA MATÉRIA, VOU APLICAR SUAS SUGESTÕES COM OS ALUNOS. GOSTARIA QUE ME DESSE UMA SUGESTÃO DE COMO TRABALHAR COM CRIANÇA QUE COMFUNDE A CONSOANTE “O” E ” U”, OU SEJA TODAS AS VEZES QUE ESCREVE FICA NA DÚVIDA QUAL LETRA EMPREGAR. GOSTARIA TAMBÉM QUE ME INDICASSE TÉCNICAS PARA TRABALHAR COM DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM EM ADOLESCENTES E DIFICULDADE NA INTERPRETAÇÃO.

    • Solange Moll on said:

      Luciane, se as dificuldades que você mencionada estão relacionadas a alfabetização, sugiro que você faça atividades voltadas ao desenvolvimento da consciência fonológica (você encontra atividades neste site clicando em “jogos e brincadeiras…”). Quanto a interpretação de textos vou postar uma atividade em breve.
      Abraços

  17. Meu filho de 4 anos e 9 meses não escreveu assim, ele sempre escrever da direita pra esquerda, mas, o outro de 3 anos que começou a escrever as letras e o nome recentemente, escreve desta forma. como devo orienta-lo? assisti o vídeo acima, devo elogiar e pedir pra escrever da direita pra esquerda, ou não?
    obrigada

    • Solange Moll on said:

      Oi katiúscia, sim, você pode elogiar e informar seu filho que escrevemos da esquerda para a direita. Mas vá com calma, seu filho é tão novinho. E é bem provável que o conceito de direita e esquerda não esteja definido. O que é absolutamente normal para a idade dele. Então brinque bastante, desenvolva noções de cima-embaixo, frente-atrás, perto-longe, dentro-fora, grande-pequeno, percepção auditiva, visual…
      Bjos e estou à disposição para dúvidas, críticas, elogios…rsrsrs

  18. Bom dia,
    Minha filha tem 4 anos e escreve todas as letras sozinha, mas ainda não forma palavras. Quando ela quer escrever uma palavra específica, ela me pede para soletrar e ela escreve. Mas ela demonstra muito interesse em aprender a formar palavrinhas sozinha. Que atividades posso utilizar para ajudá-la?
    Ela passou pela faze do espelhado tb, foi até engraçado, ela aprendeu todas as letrinhas, e escrevia normal, da esquerda pra direita, de repente mudou e espelhou tudo…rs… mas agora ja voltou.
    Beijos! e obrigada pela ajuda!

    • Solange Moll on said:

      Oi Luana, já que o interesse está partindo da sua filha, claro que é legal estimular, mas como falo sempre, vá com calma… Sua filha é bem nova. E sabe, quando a gente força o aprendizado é comum a criança, ao chegar no 1o. ano, já estar cansada e acabar perdendo o interesse de ir para a escola. Por isso não vou lhe indicar uma atividade, sua filha vai ter uma vida pela frente onde terá atividades para fazer. Vou lhe sugerir que brinque com ela com letras móveis, com massinha de modelar, com guache, argila, etc. Ou seja, ela vai aprender brincando.

  19. Muito esclarecedor ,o conteúdo sobre a escrita espelhada ,pois a dúvida é de muitas pessoas a respeito desse assunto.

  20. Sebastião Arruda on said:

    Prezado,

    Pesquisando sobre o tema de espelhamento na escrita na adolescência encontrei esta página, me confortou bastante.
    Tenho uma filha de 8 anos que demonstra essa característica em seu aprendizado.

    • Solange Moll on said:

      Sebastião, na idade da sua filha (8 anos) e supondo que ela já tenha recebido ensino de qualidade por pelo menos 2 anos, e estiver apresentando, além da escrita espelhada, dificuldade de aprendizagem, eu recomendo uma avaliação psicopedagógica.
      Um abraço,

  21. Olá Solange, olhando este último comentário minha aflição aumenta. Tenho 26 anos, sou universitária e escrevo espelhadamente desde meus 4 – 5 anos, quando fui alfabetizada. Sofri muito com a discriminação das escolas que passei, pois me obrigavam escrever de forma convencional e isso me causou muitos problemas como tendinite em ambos os braços que estava muito avançada, não sabia a diferença entre direita e esquerda (para tudo, inclusive do caderno), desenvolvi muitos problemas emocionais… Fiz acompanhamento médico com profissionais de diversas áreas (3 oftalmologistas, 1 psicologo, 1 psicopedagoga, 1 psiquiatra, 2 ortopedistas, 1 neurologista) durante um ano e a equipe concluiu que eu não tinha nenhum tipo de problema cognitivo nem motor e que eu deveria escrever espelhadamente. A solução para a escola foi usar folhas de papel vegetal nas avaliações. Confesso que nunca vi nenhuma criança que escreva com eu depois dos 8 anos. Como identificar e superar esses traumas que só quem vivencia para saber o quanto é ofensivo, discriminador, dolorido e sofrível. Hoje, posso dizer que já superei tudo isso, porém desconfio de uma aluna que está no 6. ano. Ela possui problema visuais (já está com óculos), porém não conseguiu ser alfabetizada e apresenta diversos problemas emocionais, é super tímida, não se interage na sala, tem um mega complexo de inferioridade. Consegui fazer com que ela lesse uma frase espelhada, emprestei um livro infantil a ela e pedi para que a mesma tentasse ler na frente do espelho e foi o que ela tentou fazer, mas 10 min depois ela correu em minha casa desesperada dizendo que dava conta de ler ‘normal’, ela estava em pânico, é como se o fato de se cogitar a possibilidade dela ler espelhado a colocasse na condição de “a aberração” da família, da escola, da sociedade. Quão na verdade é uma forma de incluí-la na sociedade, porque eu leio das duas formas, ela, parece-me que não. Porém, deve-se considerar que no processo de alfabetização o espelhamento é normal. A partir daí não consegui mais falar sobre o assunto com ela. Como quebrar essa barreira? Como saber se minha desconfiança é verídica? A professora articuladora tem como identificar essa diferença?
    Obrigada!

    • Solange Moll on said:

      Olá, Aline! Sua história é emocionante. Fico feliz em saber que você conseguiu superar as suas dificuldades e hoje escreve tão bem. Entendo sua aflição em relação à menina, considero de suma importância que ela passe por uma avaliação psicopedagógica e psicológica. Qualquer coisa que eu fale além disso – sem conhecê-la pessoalmente – seria “achismo” e irresponsabilidade da minha parte. Bjs

  22. Cássia Aparecida Nogueira de Freitas Vargas on said:

    Meu filho de 5 anos escreve espelhado algumas coisas,mas ele não começa do fim para o começo,do começo para o fim,como se fosse escrever de forma normal.Ele dá umas agarradas na hora de falar,já o levei numa fono,ela disse que passava quando ele fizesse 5 anos,só que não passou,tirei a mamadeira quando ele fez 2 anos e 3 meses.Ele começou falar muito cedo 10 meses falava papai, mamãe,vovó,água de maneira clara,ele não é gago isso a fono me garantiu.O que eu posso fazer para ajudá-lo?

    • Solange Moll on said:

      Cássia, a escrita espelhada é comum na idade do seu filho, mas acompanhe. Converse com a professora, pergunte como está a aprendizagem dele. Quanto a linguagem oral, recomendo que você o leve novamente para uma avaliação fonoaudiológica.

  23. Gostei bastante das sugestoes que vi aqui. Parabens pela iniciativa.

  24. TIAGO TAVARES on said:

    o meu filho ele escrever certo, mais ele começa da esquerda para direita.
    exemplo- JOÃO Ele começa da letra O

    J O A O
    4 3 2 1
    <——-

  25. muito obrigada !! agora estou mais tranquila ,pois tenho gemeas dde 4 anos e meio e uma delas escreve de traz para frente .nossa que alivio ,feliz em saber que e normal !! muito obrigada

  26. ola tenho um menino de 5 anos conhece todas as letras do alfabeto, conhece numeros é otimo em memorização. mas quando chega a hora de escrever ele nao escreve fica passando o lapis de uma mao pra outra rabiscanco a folha do caderno mas nao quer fazer a atividade, ele ainda nao se definiu qual mao escrever ora é com a esquerda ora com a direita o que faço?

    • Edina, seu filho é tão novinho ainda… Nesta idade é comum as crianças ficarem desmotivadas com lápis e papel. Por isso posso dizer que a melhor maneira de motivar seu filho é através de brincadeiras. No nosso site tem várias ideias. Dê uma olhada.
      Agora, se você está em dúvida quanto ao rendimento dele converse com a professora e se ela achar necessário procure um profissional da psicopedagogia para uma avaliação.
      Bjs

  27. Minha filha tem 3 anos e já tem um ano que está na escola já sabe escrever o nome muito bem mas do nada ela foi escrever o nome pra avó ver e escreveu normal depois ela escreveu de trás para frente e depois escreveu normal outra vez, quando a minha esposa perguntou porque ela escreveu o nome daquela forma ela naturalmente disse que foi porque ela quis. Ela tem uns argumentos que não parecem ser típico de crianças da idade dela.
    OBS: Ela começou a falar com 10 meses, e com um ano e pouco falava frases em inglês que aprendeu sozinha assistindo vídeos do Patati Patata é normal.

Deixe uma resposta