A Professora diz: “Não sossega, é impulsivo, não presta atenção, está sempre metido em confusão.”
Algumas pessoas comentam: “Se fosse meu filho, eu mostrava quem é que manda. Isso é falta de chinelo na bunda!”
Os pais desabafam: “Não sabemos mais o que fazer.”
Esses relatos são comuns vindos de pessoas que convivem com crianças com TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Como o próprio nome diz: transtorna a vida da pessoa. E cabe ressaltar que o transtorno não é só escolar, mas também em casa, no trabalho, nas amizades, enfim, afeta a vida do indivíduo em sua totalidade.
TDAH é um dos transtornos mais estudados no mundo. Segundo especialistas, o controle na liberação de substâncias químicas, entre elas dopamina e noradrenalina, estão alterados. Essas substâncias são neurotransmissores que atuam principalmente no lobo frontal do cérebro.
É também frequente que pais se reconheçam nas atitudes do filho, porque se trata de um transtorno com predisposição genética.
No entanto, precisamos de muita cautela ao apontar o dedo para uma criança, dizendo que ela que é hiperativa. Primeiro porque somente o médico pode diagnosticar e também porque podemos erroneamente “rotular” crianças que somente estão apresentando “sintomas” decorrentes, por exemplo, de um esforço para chamar a nossa atenção. Todos temos necessidade de sermos reconhecidos, de ocupar um espaço. Em meus atendimentos um adolescente uma vez desabafou: “Já que eu não sou o melhor, então vou ser o pior”. Esta foi a maneira, equivocada, que ele encontrou de ser reconhecido por algo, de pedir socorro.
Um outro ponto que é importante refletir é que a aprendizagem acontece de formas e ritmos diferentes, então, se o conteúdo está muito acima do que a criança tem condições de realizar naquele momento, e se isso se repete diariamente, dia após dia, parece-me evidente que o desinteresse será gerado.
Ai… ai… quanta responsabilidade!
Mas de qualquer maneira, existem algumas formas de lidar com as crianças que podem melhorar a convivência. Vou citar algumas:
- Discutir individualmente atitudes inadequadas que devam ser evitadas. É produtivo escolher uma atitude de cada vez;
- Chamar a atenção discretamente. Todos nós temos dificuldades e certamente não gostaríamos de ser chamados atenção na frente de outros. Por que então fazemos isso com as crianças?
- Para exigir da criança controle e bom comportamento, precisamos primeiro dar o exemplo. As crianças aprendem muito mais com o que fazemos do que com o que dizemos. Então gritando e perdendo a paciência vamos estar ensinando o quê?
- Só prometer o que pode e vai cumprir. De nada adianta ameaçar bater, expulsar de casa, quando você sabe que é seu filho, sua responsabilidade e não fará isso;
- Ninguém é de ferro, e falar certamente é sempre mais fácil. Mas vamos ser sinceros, têm dias que a gente não está bem, então vale a dica: evite entrar em confronto. E se a situação está insustentável é melhor reconhecer que você precisa de ajuda;
- Elogios sinceros é a melhor dica que posso deixar. Tente identificar o que a criança gosta e se sai bem fazendo. Foque nisso, valorize o desejo dela! Falei anteriormente neste texto, mas vou repetir: todos queremos ocupar um espaço. Tire, livre a criança do rótulo de delinquente porque ela é um ser em desenvolvimento.
A discussão pode ir longe, e se você que lê este texto quiser dar a sua opinião, estou à disposição. Espero ter contribuído de alguma forma.
Um forte abraço.
OBRAS CONSULTADAS
BEYER, Hugo Otto. O fazer psicopedagógico: a abordagem de Reuven Feuerstein a partir de Piaget e Vygotsky. Porto Alegre: Mediação, 1996.
FERNÁNDEZ, Alicia. Os idiomas do aprendente. Porto Alegre: Artmed, 2001.
MATTOS, Paulo. No mundo da lua. São Paulo: Casa Leitura Médica, 2008.
SILVA, Ana Beatriz B. Mentes inquietas. Rio de Janeiro: Napades, 2003.
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